O encantador de passarinhos.

Havia um rapaz apaixonado pelas aves.

Diferentemente das pessoas comuns, ele não tinha uma coleção de passarinhos, ele tinha apenas uma gaiola e sem nenhum pássaro dentro. Mas não era uma gaiola qualquer, era como um coração e nela cabia muitos pássaros, como se fossem várias gaiolas. Ele a deixava sempre de porta aberta e sempre que perguntavam a ele sobre sua paixão com os passarinhos e porque ele não os tinha com ele, então ele respondia orgulhoso: “Passarinho que voa livre, volta porque quer”.

Os dias corriam e ele continuava com sua gaiola aberta. Os passarinhos iam e voltavam, era uma alegria para esse rapaz vê-los para lá e para cá cantando e voando. Era uma alegria saber que eles estavam ali porque queriam estar.

Seus vizinhos também gostavam de pássaros, mas mantinham as gaiolas muito bem fechadas, para que os seus dali não saíssem.

-Eu cuido muito bem deles, dou comida, água e carinho, estão vivendo muito bem presos aqui, sem contar que há mais segurança do que soltos por aí. – Era o que alguns diziam, e riam dele algumas vezes, principalmente em reunião que ele não estava:

-Cadê o rapaz da gaiola aberta?

-Não veio, está lá, coitado, aproveitando com seus passarinhos antes que eles partam.

-Ele é doido, enquanto estamos aqui, curtindo, nossos passarinhos estão muito bem seguros dentro das nossas gaiolas fechadas.

-“Passarinho que voa livre, volta porque quer” – Repetiam com deboche.

Tempos se passaram e sem que o encantador percebesse o volume de passarinhos ia diminuindo pouco a pouco ao seu redor.

Até que ele percebeu e começou a se questionar: – Será que estou colocando pouca comida, pouca água? Será que eles não se sentem bem por aqui?

Questionamentos iam e vinham, ele tentava coisas e mais coisas mas não parava de diminuir o número de pássaros ao seu redor.

Ele tentou cantarolar, tentou músicas, comidas novas, mais água, mais carinho, tentou tudo o que pode, mas nada parecia suficiente e a cada dia a gaiola se mostrava mais vazia, a comida estragava, a água sujava, a música acabava e a gaiola passou a ficar completamente vazia.

Os vizinhos, zombadores, passavam gritando: “Cadê seus passarinhos agora encantador?” e novamente “Passarinho que voa livre, volta por quer? Porque não estão voltando agora?”.

A gaiola não parecia mais tão mágica e o encantador menos ainda. Com o tempo aquela espera se tornou angustiante e ele preferiu fechar a portinha dela e por um tempo a manteve ali, esperando, mas por fim ele a guardou num quartinho velho para que se algum passarinho voltasse, não a encontrasse mais lá e pudesse seguir o seu caminho.

Seus vizinhos, que nunca contaram, capturaram dezenas desses passarinhos. Eles aproveitavam dos que o, antes, encantador atraía e os capturavam para eles em suas gaiolas fechadas. Talvez ele nunca soubesse disso, ou talvez fingia que não, para não imaginar aqueles passarinhos que o encantavam tanto, presos na gaiola de outro alguém.

Mas essa é apenas uma história antiga. Alguns torcem para que ela seja verdadeira e que um dia essa gaiola seja encontrada e pendurada novamente para atrair mais e mais passarinhos livres, mas desta vez, cuidando para que os vizinhos não os capturem, enquanto outros ainda debocham: “Passarinho que voa livre, volta porque quer…hunf.. que bobagem”.

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