Eu inventei Deus.

Tenho uma coisa para confessar a vocês: Eu inventei Deus.

Não se assustem, há muitas tentativas de cópias frustradas dessa minha magnífica criação, por isso podem ficar espantados com essa informação assim, tão de repente. Mas eles criaram Deuses tenebrosos, autoritários e rancorosos, não conseguiram repassar a bondade daquele que um dia eu criei.

Eu tentarei explicar algumas questões e vocês verão que estou dizendo a verdade.

Um dia eu decidi que a humanidade precisava de algo mais forte do que ela. Não, eu não estava entediado, estava preocupado. Via as pessoas reclamando de si, desdenhando do que tinham e almejando o que era do vizinho. Por isso eu decidi inventar uma coisa nova, algo que pudesse fazê-los enxergar diferente, foi muito difícil chegar na ideia final pois havia muitas pontas soltas para deixá-lo perfeito, eram detalhes demais para que pudesse atingir cada cidadão deste planeta. E foi exatamente dessa questão que eu cheguei ao que precisava, não tinha que ser complexo, havia de ser simples.

Foi desafiador transformar a complexidade em simplicidade. Pense na força que isso poderia ter, pense na energia que levaria a todas as criaturas vivas ou inanimadas, tudo precisava dessa energia, tinha que ser extremamente poderosa, aconchegante e afetuosa, até as pedras se encheriam dessa energia.

Bom, eu consegui, e então eu criei Deus.

Ele gerava coisas novas o tempo todo e as preenchia com aquela energia, eu amava ver tudo aquilo, era apaixonante sentir que havia criado algo tão bom.

No início a humanidade se mostrou entusiasmada com aquela criação, aquilo aumentara ainda mais minha alegria, havia unificado os homens em uma simplicidade enorme.

Pois bem, pobre ilusão a minha, pouco tempo depois dessa criação os homens começaram a disputar aquela energia dos outros e começaram a retirar das pedras primeiro, afinal, como inanimadas elas não sentiriam falta daquilo – coitados, eles mal percebiam que aquela energia já era deles, não lhes precisavam tomar nada – Esse foi apenas o início de toda a reversão daquela minha alegria, em seguida começaram as novas versões de Deus. Era impressionante mesmo, cada um que aparecia se apresentava melhor que o outro, mas aquilo tinha preço, um Deus não tolerava o Deus do outro e assim o meu foi desaparecendo nesse consumo em massa daquela energia maravilhosa.

Para escapar daquela batalha entre os novos Deuses eu decidi tirar o meu de cena. Mas eu não queria que ele deixasse de existir, queria que aquela energia simples pudesse ficar presente entre os seres, mesmo que para poucos. E assim, pouco a pouco ele se omitiu, mas ainda está por aqui em muitos lugares em pequenas porções. Eu o cultivo com muito carinho, valorizo essa energia que ele me deixou, mesmo sendo criação minha, eu sinto que foi ele quem me deu a oportunidade de estar aqui. Hoje eu não o chamo mais de Deus, essa palavra foi envenenada pela ganância da humanidade, eu dei um nome mais fluido para que ele pudesse passar despercebido, para que ele pudesse continuar presente na vida das pessoas e de todo o resto sem ser taxado na disputa de quem é o mais poderoso, hoje eu o chamo de… Não sei se deveria lhes dizer, mas acho que ainda há esperança… hoje eu o chamo de Amor.

Se encontrarem um pouquinho disso por aí, cultivem bem, é tudo o que restou daquele bom Deus que um dia eu criei para todos nós.

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