A caixINha

Encontrei uma caixinha linda, é encantadora.

– Onde achou?

Não sei ao certo, não dava pra ver direito e já faz um tempinho também.

– Mas sabe de quem é?

Não tenho certeza, tem um nome gravado, mas está meio raspado, parece que tentaram apagá-lo.

– Ah, pega pra você e se achar o dono é só devolver.

Não sei, não acho certo. Eu abri a tampa e tem um monte de papeizinhos escritos e por baixo tem outra tranca, mas não consegui abrí-la.

– O que está escrito nos papéis?

Vou ver…
“INcerteza”, “INcoerência”, “INdiferença” e uma porção de outras.

– Que estranho.

Pois é, o mais estranho é que aparentemente onde a caixinha acaba é que tem a outra tranca, mas da para sentir que tem muita coisa lá dentro, queria muito abrir.

– Tenta quebrar, mas com cuidado para não estragar o que tiver dentro.

Que ideia doida, não farei isso. Para começar a caixinha não é minha e ela é muito bonita para ser quebrada.

– Mas e se o que estiver dentro for muito melhor, você não prefere arriscar?

Eu gostaria muito, mas prefiro fazer isso junto com quem trancou e sem estragar nada. Talvez a pessoa nem se lembre que isso está aí.

– E o que fará então?

Não sei, acho que vou tampar e deixar onde estava, talvez eu deixe um bilhete junto. Estou começando a achar que quem perdeu queria esquecê-la.

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Uma consideração sobre “A caixINha”

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